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Dando continuidade à parceria com a Vitrine Filmes, este segundo lançamento reúne quatro filmes às voltas de seus territórios: Temporada (André Novais Oliveira, 2019), Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro, 2011), Baronesa (Juliana Antunes, 2017) e Guerra de Algodão (Marília Hughes e Cláudio Marques, 2020). A abordagem particular de cada um deles, que podem também oscilar livremente entre o documentário e a ficção, revela formas de imaginar, habitar e se relacionar com cidades, bairros, ruas e, sobretudo, com as comunidades que se unem através destes espaços. Trata-se, ainda, de um conjunto de filmes que apresentam personagens mulheres marcantes, as quais nos conduzem por suas vidas de trabalho, corres cotidianos, amores, amizades e solidões.
Em Temporada, acompanhamos a chegada de Juliana à Contagem, onde começa a trabalhar como agente de combate à endemias e passa a formar novos vínculos. É através dela que vamos conhecer a topografia dos bairros, suas ladeiras, seus altos e baixos, suas transformações. Na rotina, as brechas pro cafézinho, a conversa na calçada, o drible no trabalho, são sempre a possibilidade de forjar uma amizade, de se defrontar com um silêncio — tão bem acolhidos pelo filme, de tempo calmo, delicado. Em Baronesa, acompanhamos Andreia e Leid, duas amigas que vivem na periferia de Belo Horizonte e compartilham cotidianos, durezas e reflexões sobre suas próprias trajetórias. O filme adota um olhar que transita entre a proximidade e a distância, entre a espontaneidade e a performance, revelando uma poesia singular que se desenha na realidade dessas mulheres — por vezes bruta, noutras de um refresco. É o que se vê, por exemplo, quando tomam banho de balde no quintal, quando conversam sobre os prazeres do corpo, quando dançam.
Em Avenida Brasília Formosa, é por meio da costura entre diferentes personagens — e da ficção como elo com suas realidades — que se constrói um retrato do bairro Brasília Teimosa, no Recife. Assim como em Baronesa, atenua-se a linha entre a ficção e o documentário, de modo a tornar o cotidiano, o comum, matéria de invenção. É nesse movimento que nos apresentam o documentarista Fábio, o pescador Pirambu, a manicure Débora e outros moradores — figuras delineadas não apenas por seus sonhos, ofícios e aspirações, mas, sobretudo, pela forma como se relacionam com a cidade e seus espaços. Por fim, em Guerra de Algodão, acompanhamos Dora, uma jovem alemã que visita pela primeira vez sua avó em Salvador, iniciando um contato com aspectos da trajetória da família até então desconhecidos. O deslocamento em relação à cidade e à sua história dá ensejo a um processo de autodescoberta, de formação de amizades e de vivências marcadas pela luz e pelos ritmos da capital baiana. À medida que mergulha na história da avó — que foi uma atriz feminista na juventude — e se depara com as diferenças entre ela e a cidade, Dora também atravessa processos significativos de transformação.