Eu, Empresa

Leon Sampaio, Marcus Curvelo

Ano
2021
Duração
82 min
Local de produção
BA/Brasil, MG/Brasil
Classificação
12
Acesso
Gratuito

Disponível para o Brasil

Sinopse

Sinopse: Um trabalhador informal enfrenta problemas financeiros e emocionais. Sem oportunidades decentes de trabalho, ele cria um canal no Youtube para tentar monetizar suas pequenas histórias de fracasso, enquanto presta serviços precarizados para empresas estrangeiras.

Por que assistir?

É impossível acompanhar a saga de Joder sem rir - nem que seja de nervoso - das situações em que ele se envolve, todas estranhamente familiares. Curvelo e Sampaio nos oferecem uma crônica do trabalho contemporâneo, trágica, se não fosse cômica. O título da obra indica seu principal conflito: aquele dos trabalhadores do século XXI que, frente às mudanças estruturais nos modos de trabalho, sem as garantias firmadas em contratos formais de emprego via CLT, tornam-se empreendedores, ou empresas de si mesmos. Continuam, como antes, a vender sua mão de obra e a prestar serviços, mas agora trabalham para “patrões” virtualizados, sem qualquer compromisso ou responsabilidade com seus “colaboradores”. Se filmes como “A máquina infernal” abordam justamente a obsolescência das fábricas, o ruir do modo fordista de produção, “Eu, empresa” apresenta, com bastante humor, a distopia e o absurdo de um mundo em que estrangeirismos como “mindset”, “coaching”, “likes”, “flops”, “selfies”, “stories” tornam-se linguagem corrente. Marcus, um dos diretores do filme, é também seu protagonista. Ele vive uma crise profissional, quer virar YouTuber famoso e, para isso, inventa um personagem, Joder, que cria conteúdos sobre o fracasso (vale conferir, aqui mesmo na Embaúba Play, os demais curtas do diretor, entre eles Joderismo, que ampliam a compreensão de Eu, empresa). Criar Joder, o fracassado, seria a estratégia para Marcus, finalmente, ter sucesso. A gag parece rimar com o refrão da trilha de abertura do filme: “tudo foi feito pra gente lacrar”, sintetizando as contradições e a realidade absurda, quase fantástica, do capitalismo ultra-liberal. Por fim, mas não menos importante: é uma grata surpresa reencontrar, neste filme, Aristides de Sousa, o Juninho, ator presente em Arábia e Mascarados. Sua saga é a do trabalhador moderno: ele que já foi operário, carregou pedra e cimento (como diz o próprio personagem em palestra para uma plateia ávida por ser, um dia, como ele) agora é João Maldito, YouTuber famoso, cujo canal é especializado em críticas de restaurantes caros, lojas de marca e todo tipo de exploração do trabalho. É João Maldito quem profere a moral da história: “o tempo vai passando, mas o dinheiro não - ele tá sempre ali, na mão de quem a gente não sabe, mas tá sempre ali”.

Ficha técnica

elenco Marcus Curvelo, Carlos Baumgarten, Aristides De Sousa (Juninho Vende-Se), Mariana Rios, Carol Alves, Thiago Almasy, Ritah Oliveira, Felipe Pedrosa, Rachel Sauder, Gaba Reznik

direção Leon Sampaio e Marcus Curvelo

produção Transes Filmes, Anacoluto, Filmes Amarelos

roteiro Amanda Devulsky, Camila Gregório, Leon Sampaio, Marcus Curvelo

produção executiva Marisa Merlo

direção de produção Thamires Vieira

direção de fotografia Victor de Melo

som direto Marcela Santos

montagem Frederico Benevides, Leon Sampaio, Marcus Curvelo, Ramon Coutinho

mixagem e edição de som Daniel Turini, Fernando Henna, Henrique Chiurciu

assistente de direção Bianca Muniz

 

Galeria de imagens

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