Mascarados

Henrique Borela, Marcela Borela

Ano
2020
Duração
65 min
Local de produção
GO/Brasil
Legendas
ENG
Classificação
14
Acesso
Gratuito

Disponível para o Brasil

Sinopse

Inconformados com a decisão judicial que obriga os mascarados da Festa do Divino a saírem com um número de identificação, um grupo deles tenta invadir a prefeitura da cidade. Quatro jovens, trabalhadores de uma pedreira, lidam de maneiras diferentes com a eminência da festa e a exploração do trabalho.

Por que assistir?

O Brasil é largo, profundo. “Mascarados” nos oferece a chance de descobrir um território desconhecido para a maioria dos brasileiros, o interior do estado de Goiás, mais especificamente, uma pedreira na região de Pirenópolis, uma das maiores do país. Entre a etnografia e a encenação, o filme conquista densidade à medida que acompanhamos seus personagens na execução de suas atividades cotidianas, o trabalho na pedreira, o jogo de futebol, as conversas jogadas fora, os tempos vazios em casa ou no entorno da pequena cidade. Aos poucos, pedra por pedra, uma contraditória relação de intimidade e estranhamento é estabelecida entre filme e espectador. Algo bastante opaco resiste ao olhar etnográfico, cuidadosamente captado por Wilsa Esser na fotografia e organizado na montagem sugestiva de Affonso Uchoa:uma sensação de desamparo, melancólica, como se o extrativismo mineral extraísse também algo da potência de vida dos corpos em cena. Dentre os gestos do trabalho, contudo, nem tudo é extração. O trabalho da fabulação, aqui, surge em pinceladas precisas, traduzido nos planos de confecção das máscaras, no contexto da preparação para a Festa do Divino Espírito Santo, bastante popular na região. Finalmente, extrai-se dos corpos algo além da dureza, ainda que, agora, acrescente-se a eles novo grau de opacidade, materializada nas máscaras que ocultam os rostos dos trabalhadores. Quem estaria, afinal, mais mascarado, o corpo jubiloso e brincalhão em festa ou o corpo subjugado na pedreira, desamparado e vagante após a demissão pelo patrão? A máscara, neste filme, é índice e metáfora, traço cultural típico da festa popular, mas também símbolo de um modo de vida que torna difícil o reconhecimento de si, do outro, do mundo, tradução precisa da alienação que sustenta o trabalho no sistema capitalista. No escambo final, troca-se a máscara pela arma, uma troca justa, com a qual é possível correr em liberdade. Uma última observação: Mascarados cresce no contato com outros filmes de nosso catálogo, em especial, com Arábia, também parte do programa “Filmar o trabalho”. A proximidade entre esses dois filmes vai além dos nomes comuns nos créditos - Affonso Uchoa assina direção em Arábia e montagem em Mascarados, Aristides de Sousa atua nas duas obras, ainda que com menor protagonismo no segundo. Essas duas obras primas do cinema brasileiro recente se aproximam pois reacendem e figuram um desejo de luta ou de fuga, que se não resulta em final redentor, ao menos mantém em movimento o pensamento, contra a exploração da força de trabalho que funda estruturalmente a realidade colonial do nosso país.

Ficha técnica

elenco Vinícius Curva de Vento, Marcos Antônio Caetano dos Santos, Aristides de Souza, Marcilei Caetano dos Santos, Rosineide de Freitas Lorenço , Regina Aparecida dos Santos, Wellington Abreu, Divino José da Conceição

direção e roteiro Marcela Borela, Henrique Borela

fotografia Wilssa Esser 

montagem Affonso Uchôa 

direção de arte Carolina Breviglieri 

desenho de som e mixagem Guile Martins 

produção Camilla Margarida, Henrique Borela, Marcela Borela, Rafael Parrode 

companhia produtora Barroca Filmes

Galeria de imagens

Veja também

Uakti – Oficina instrumental

Rafael Conde

1987, 12 min

UM

Ricardo Mehedff

2008, 13 min

Não devore meu coração

Felipe M. Bragança

2017, 106 min

D’Ouro

Joana Oliveira

2013, 26 min

Lembranças de Mayo

Flávio C. von Sperling

2015, 29 min

Karioka

Takumã Kuikuro

2014, 20 min

Anticristo (um vídeo sobre minha morte)

Carlosmagno Rodrigues

2008, 27 min

Não estamos sonhando

Luiz Pretti

2012, 12 min

Chuva é cantoria na aldeia dos mortos

João Salaviza, Renée Nader Messora

2019, 114 min

Para Eva

Rodrigo Lima

2010, 7 min

Recordações de um presídio de meninos

Lourival Belém Jr.

2009, 28 min

Pele

Marcos Pimentel

2023, 75 min